17 de fevereiro de 2017

Até quando é que podes não saber?

Sim, até quando é que podes não ter um plano sem que estejas desnorteada?
Os tempos, dizem, mudaram mas continuam a cobrar-te a seriedade, a consciência e o tacto com a mesma firmeza que o fizeram aos teus semelhantes anos e anos atrás.
Precisas de ser controlada, metódica e fazer um percurso limpo, sem desvios nem percalços porque "Com a tua idade, eu já era... Eu já fazia... Eu já tinha."

Até quando poderás ser a criança que recusas deixar morrer?
Terá a tua gargalhada de ir às lágrimas um prazo de validade e o teu gosto por filmes de animação um final certo. Dizem. Dizem ser o percurso natural das coisas. Só que tu nunca foste pelo que é natural.

Até onde te será permitido não seres aquela-que-domina-todas-as-coisas?
Vão começar a cobrar-te demasiado cedo para que saibas, tanto que ensines. E tu com tantas dúvidas, ora tão básicas quanto complexas. A maior delas é se algum dia fará sentido que doutrines uma palavra que não é tua.

Por quanto mais tempo poderás viver na dor porque te parece tão mais confortável do que o vazio?
Pior que a dor é a ausência dela. O não sentir, não ser capaz. Ser infértil. Infértil de felicidade.

MariaDaniela

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